Gestão de turnos
Escala 6×1: o que muda com a PEC e como adaptar as escalas
Entenda o que muda na escala 6x1 com a PEC aprovada: duas folgas semanais, jornada de 40 horas, prazos de transição e como adaptar as escalas da empresa.
Gestão de turnos
Entenda o que muda na escala 6x1 com a PEC aprovada: duas folgas semanais, jornada de 40 horas, prazos de transição e como adaptar as escalas da empresa.
15 de outubro, 2026
A escala 6×1 deixará de existir como modelo padrão de jornada no Brasil. Em 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou em dois turnos, por 75 votos a 1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. O texto garante dois dias de descanso semanal remunerado e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas, sem redução de salário.
Para o RH de empresas do varejo, da indústria, da logística e da saúde, isso significa redesenhar escalas, recalcular custos e renegociar acordos em poucos meses. Um software de gestão de escalas permite simular novos modelos de turno antes de colocá-los em prática e acompanhar a transição sem planilhas paralelas.
Neste artigo, você encontra como a escala 6×1 funciona hoje, o que muda com a PEC e quais são os prazos, além de um passo a passo para adaptar as escalas da sua empresa..
Na escala 6×1, o colaborador trabalha por seis dias seguidos e tem direito a um dia de descanso, que pode ocorrer em qualquer dia da semana, desde que respeite o intervalo máximo de sete dias entre uma folga e outra.
Em termos práticos, o profissional pode trabalhar de segunda a sábado e descansar no domingo, ou ter sua folga em outro dia, o que é comum em setores com funcionamento 24 horas. A jornada diária deve seguir o limite de 8 horas por dia e 44 horas semanais, salvo exceções previstas em acordo coletivo.
Um dos pontos que mais gera confusão é o controle das folgas compensatórias. Quando feito manualmente, o risco de erro é alto. Já com sistemas automatizados, o RH pode programar regras, revezamentos e escalas rotativas que respeitam os intervalos e os limites legais.
Segundo Tiago Santos, vice-presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR, o segredo da escala 6×1 está no equilíbrio entre eficiência e cuidado com o colaborador:
“Empresas que operam nesse modelo precisam de previsibilidade. A tecnologia ajuda o RH a planejar turnos com antecedência, garantir o descanso e evitar sobrecarga, o que é fundamental para manter o engajamento e a produtividade.”
Na escala 6×1, o colaborador trabalha seis dias seguidos e tem direito a um dia de descanso. A folga pode cair em qualquer dia da semana, desde que o intervalo entre um descanso e outro não passe de sete dias. É o modelo mais comum em setores que funcionam todos os dias, como supermercados, restaurantes, hospitais e centros de distribuição.
Pela regra atual, a jornada diária vai até 8 horas e a semanal até 44 horas, salvo exceções previstas em acordo coletivo. Na prática, a distribuição mais usada é de 7h20 por dia, de segunda a sábado, ou 8 horas em cinco dias e 4 horas no sexto.
Essas regras continuam valendo até a nova emenda constitucional entrar em vigor. Por isso, a empresa que opera em 6×1 hoje precisa seguir cumprindo a CLT enquanto planeja a transição.
A PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e relatada no Senado por Omar Aziz (PSD-AM), altera o artigo 7º da Constituição Federal. Como se trata de uma emenda constitucional, o texto não passa por sanção presidencial: ele é promulgado pelas Mesas da Câmara e do Senado em sessão do Congresso Nacional.
O impacto é grande. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados em 2026, quase 15 milhões de trabalhadores com carteira assinada estão na escala 6×1. Levantamento do Dieese com base na PNAD 2025, do IBGE, mostra ainda que 31% dos empregados cumprem jornadas entre 41 e 44 horas semanais, ou seja, acima do novo limite.
O núcleo da PEC está em duas mudanças: mais um dia de descanso por semana e quatro horas a menos no limite semanal. As duas valem sem redução salarial, o que significa que o custo por hora trabalhada aumenta para a empresa.
Os principais pontos do texto aprovado são:
A contagem dos prazos começa na promulgação da emenda, que ainda não tem data confirmada. A redução da jornada é gradual, para dar tempo às empresas de reorganizar escalas e quadro de pessoal.
Durante a transição, acordos e convenções coletivas podem redistribuir a jornada diária para facilitar a adaptação. O cronograma previsto no texto é este:
| Etapa | Prazo | Limite semanal |
|---|---|---|
| Antes da vigência | Até 60 dias após a promulgação | 44 horas (regra atual) |
| Primeira etapa | 60 dias após a promulgação | 42 horas |
| Segunda etapa | 12 meses após a primeira etapa | 40 horas |
Nem todo contrato muda da mesma forma. A PEC preserva regimes diferenciados e cria uma exceção para profissionais de alta qualificação e remuneração, além de deixar alguns pontos para regulamentação posterior.
Atenção a estes casos:
O relator afirmou que a carga horária de setores específicos ainda precisará ser regulamentada pelo Congresso. Tiago Santos é vice-presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR e acompanha de perto a rotina de empresas que operam em turnos. Para ele, o maior erro agora seria esperar a regulamentação para começar a planejar:
“A empresa que deixar para redesenhar as escalas no último mês vai descobrir tarde demais que falta gente para cobrir os turnos. O momento de simular cenários, calcular custos e conversar com o sindicato é agora, enquanto ainda existe margem para ajustar.”
Enquanto a emenda não entra em vigor, a escala 6×1 continua amparada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O artigo 67 garante descanso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos, o que torna o modelo legal desde que os limites diários e semanais sejam respeitados.
O modelo também precisa respeitar os intervalos de intrajornada, com pausa mínima de uma hora em jornadas acima de seis horas, e o descanso interjornadas de no mínimo 11 horas entre um expediente e outro. Se o colaborador trabalhar no dia de descanso sem folga compensatória, a empresa deve pagar adicional de 100% sobre a hora normal.
Gerir a escala 6×1 corretamente vai além de montar o cronograma. Muitas empresas acumulam passivos por desconhecer detalhes como o tempo máximo entre folgas, o registro de compensações ou os intervalos obrigatórios.
Durante a transição, esses cuidados ficam ainda mais importantes, porque o limite semanal vai mudar duas vezes em pouco mais de um ano. Veja as práticas permitidas e as que geram risco:
A transição exige mais do que trocar a 6×1 por outro modelo. Com quatro horas a menos por colaborador e um dia extra de folga, a mesma operação passa a precisar de mais cobertura, e o RH precisa saber exatamente onde estão as lacunas antes do prazo começar a correr.
O caminho mais seguro passa por cinco etapas:
Para entender o contexto mais amplo dessa mudança, vale ler também o guia sobre redução da jornada de trabalho.
Entender por que a escala 6×1 se tornou tão comum ajuda a planejar o que vai substituí-la. O modelo resolve problemas reais de cobertura, mas cobra um preço alto em desgaste das equipes, e foi esse desequilíbrio que levou ao debate no Congresso.
Para a empresa, a principal vantagem sempre foi a previsibilidade: com seis dias de trabalho por pessoa, fica mais simples garantir que nenhum turno fique descoberto. Esses são os pontos que o novo modelo de escala precisa preservar:
Do lado do colaborador, um único dia de descanso por semana dificulta a recuperação física e a vida pessoal. Para o RH, a gestão das folgas rotativas é complexa e sujeita a erros quando feita em planilhas:
As dúvidas abaixo são as mais buscadas por gestores e profissionais de RH desde a aprovação da PEC. As respostas consideram o texto aprovado pelo Senado e podem ser complementadas pela regulamentação futura.
Ainda não. A PEC foi aprovada pelo Congresso e aguarda promulgação. A primeira etapa, com limite de 42 horas semanais, começa 60 dias depois da promulgação. Até lá, a escala 6×1 continua permitida pela CLT.
Não. Emendas constitucionais não passam por sanção nem podem ser vetadas. Depois de aprovadas em dois turnos na Câmara e no Senado, elas são promulgadas pelas Mesas das duas Casas.
Não. O texto aprovado proíbe a redução salarial e preserva os pisos das categorias. A jornada cai, mas a remuneração mensal se mantém.
Sim. A PEC mantém os regimes diferenciados, incluindo a 12×36, e as atividades autorizadas a funcionar aos domingos. O limite semanal médio e as regras de descanso devem ser respeitados.
São 60 dias após a promulgação para reduzir a jornada a 42 horas e mais 12 meses para chegar a 40 horas, ou seja, cerca de 14 meses no total.
A mudança na escala 6×1 é a maior alteração na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988, quando o limite caiu de 48 para 44 horas. Empresas que tratam a transição como projeto, com dados de jornada, simulações e negociação antecipada, passam pela mudança sem perder cobertura nem gerar passivo. Um software de RH integrado é o ponto de partida para ter esses dados à mão.
O Gestor de Turnos da Sesame HR usa inteligência artificial para montar escalas que respeitam as regras de jornada e descanso da empresa. Na transição para as 40 horas, ele permite testar novos modelos de escala, comparar o custo de cada cenário e publicar a versão final para a equipe em poucos cliques.
Integrado aos demais módulos da plataforma de gestão de pessoas, o gestor de turnos conecta a escala planejada ao que realmente acontece na operação:
A boa notícia é que é possível testar a plataforma completa da Sesame HR gratuitamente. Com acesso ao gestor de turnos com IA e aos módulos integrados de controle de ponto, ausências, folha e documentos, a equipe de RH consegue simular as novas escalas antes do prazo e ver, na prática, o que muda quando jornada, folgas e custos estão centralizados num único lugar.
Comece o teste gratuito agora e prepare suas escalas para o fim da 6×1.