Gestão de turnos
Redução da jornada de trabalho: o que foi aprovado e o que muda
A redução da jornada de trabalho para 40 horas foi aprovada pelo Congresso. Veja o que muda, quando começa a valer e como preparar as escalas da empresa.
Gestão de turnos
A redução da jornada de trabalho para 40 horas foi aprovada pelo Congresso. Veja o que muda, quando começa a valer e como preparar as escalas da empresa.
15 de outubro, 2026
A redução da jornada de trabalho deixou de ser debate e virou regra. Em 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou a PEC 221/2019, que reduz o limite semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso por semana, sem redução de salário. É a primeira redução da jornada legal no Brasil desde a Constituição de 1988.
Para o RH, a mudança significa rever contratos, escalas, divisores da folha e acordos coletivos em pouco mais de um ano. Um aplicativo de escalas de trabalho com inteligência artificial permite simular as novas jornadas e calcular o impacto de cada cenário antes de aplicá-lo.
Neste artigo, você encontra o que foi aprovado, quando a nova jornada começa a valer, quem é afetado e como implementar a redução na sua empresa.
Sim. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio de 2026, por 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. No Senado, relatada por Omar Aziz (PSD-AM), passou em 14 de outubro por 75 votos a 1, nos dois turnos.
Como se trata de uma emenda constitucional, o texto não passa por sanção presidencial e não pode ser vetado. Ele é promulgado pelas Mesas da Câmara e do Senado em sessão do Congresso Nacional, e a contagem dos prazos de transição começa a partir dessa promulgação.
A PEC altera o artigo 7º da Constituição, que trata dos direitos dos trabalhadores. As mudanças valem para os contratos em vigor e não afetam férias, FGTS e 13º salário.
Os pontos centrais do texto aprovado são:
A redução é gradual, para dar tempo às empresas de reorganizar escalas e quadro de pessoal. Durante a transição, acordos e convenções coletivas podem redistribuir a jornada diária para facilitar a adaptação. O cronograma previsto é este:
| Etapa | Prazo | Jornada semanal máxima | Carga horária mensal (divisor) |
|---|---|---|---|
| Regra atual | Até 60 dias após a promulgação | 44 horas | 220 horas |
| Primeira etapa | 60 dias após a promulgação | 42 horas | 210 horas |
| Segunda etapa | 12 meses após a primeira etapa | 40 horas | 200 horas |
Até a primeira etapa, continua valendo o limite de 44 horas da CLT. Para entender como a mudança afeta o divisor e o valor da hora, veja o guia de carga horária mensal.
A mudança alcança uma parcela grande do mercado formal. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados em 2026, quase 15 milhões de trabalhadores com carteira assinada estão na escala 6×1. Levantamento do Dieese com base na PNAD 2025, do IBGE, mostra que 31% dos empregados cumprem entre 41 e 44 horas semanais e 16% trabalham acima de 44 horas.
Alguns contratos, porém, não mudam ou têm regras próprias:
Antes da PEC, a CLT já permitia que a empresa reduzisse a jornada por decisão própria ou por acordo, desde que sem prejuízo ao colaborador. A diferença é que, agora, a redução para 40 horas deixa de ser opcional.
As regras que continuam valendo são estas:
Tiago Santos, vice-presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR, acompanha de perto empresas que já testaram jornadas menores. Para ele, o risco nunca esteve na redução em si:
“Reduzir jornada não é apenas cortar horas, é redesenhar a operação com base em dados, tecnologia e previsibilidade. O risco não está na redução em si, e sim na falta de controle sobre ela.”
A redução da jornada de trabalho mexe ao mesmo tempo em contratos, escalas, folha e cobertura de turnos. Tratar cada área separadamente costuma gerar números diferentes para a mesma pergunta, e o erro aparece na primeira folha depois da mudança.
Estes são os passos para fazer a transição com segurança:
Tiago Santos reforça que a visão integrada é o que separa uma transição tranquila de um passivo trabalhista:
“Para que a redução da jornada de trabalho seja sustentável, e não gere um passivo, é essencial que o RH tenha um panorama em tempo real da operação: quem trabalha quando, com que escala, qual é o custo do turno e como isso se conecta à folha e à produtividade.”
Não. A PEC aprovada fixa o limite de 40 horas semanais e dois dias de descanso, mas não cria a semana de quatro dias. A empresa que quiser adotar esse modelo continua podendo fazê-lo por conta própria, dentro das regras de jornada.
Na prática, há dois caminhos. O primeiro é reduzir a carga para 32 horas, com 8 horas em quatro dias, o que não exige compensação. O segundo é concentrar as 40 horas em quatro dias de 10 horas, o que ultrapassa o limite diário de 8 horas e depende de acordo de compensação.
A redução da jornada traz custo, mas também ganhos que aparecem em indicadores de pessoas e de operação. Empresas que planejam a transição com dados conseguem capturar esses ganhos em vez de apenas absorver o custo:
Mais produtividade por hora: com menos horas disponíveis, a operação tende a eliminar tarefas de baixo impacto e a planejar melhor os turnos.
As perguntas abaixo reúnem as dúvidas mais comuns de gestores e profissionais de RH desde a aprovação da PEC.
Sim. O Congresso aprovou a PEC 221/2019, que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso, sem redução de salário. O texto aguarda promulgação.
A jornada cai para 42 horas 60 dias após a promulgação e para 40 horas 12 meses depois. Até a primeira etapa, continua valendo o limite de 44 horas.
Não. O texto aprovado proíbe a redução salarial e preserva os pisos das categorias. A jornada cai, mas a remuneração mensal se mantém.
Não. Propostas anteriores falavam em 36 horas, mas o texto aprovado fixa o limite em 40 horas semanais.
Não. Por ser emenda constitucional, o texto é promulgado pelas Mesas da Câmara e do Senado, sem sanção nem possibilidade de veto.
A redução da jornada de trabalho para 40 horas tem prazo e regras definidos, e o que separa uma transição tranquila de um passivo é a preparação. Ter contratos, escalas, ponto e folha conectados em um software de RH permite aplicar cada etapa uma única vez e acompanhar o efeito em toda a operação.
O Gestor de Turnos da Sesame HR usa inteligência artificial para montar escalas que respeitam o limite semanal de cada contrato. Na redução para 40 horas, ele permite simular novas escalas, comparar o custo de cada cenário e garantir que ninguém ultrapasse o limite vigente em cada etapa.
Integrado aos demais módulos da plataforma de gestão de pessoas, o gestor de turnos conecta a jornada planejada ao que acontece no dia a dia:
A boa notícia é que é possível testar a plataforma completa da Sesame HR gratuitamente. Com acesso ao gestor de turnos com IA e aos módulos integrados de controle de ponto, ausências, folha e documentos, a equipe de RH consegue simular a redução da jornada antes do prazo e ver, na prática, o que muda quando contratos, escalas e custos estão centralizados num único lugar.
Comece o teste gratuito agora e prepare sua empresa para a jornada de 40 horas.