Gestão de turnos
Escala de folga semanal: regras e como montar com duas folgas
Veja as regras da escala de folga semanal, como montar um rodízio de folgas e o que muda com a PEC que garante dois dias de descanso por semana.
Gestão de turnos
Veja as regras da escala de folga semanal, como montar um rodízio de folgas e o que muda com a PEC que garante dois dias de descanso por semana.
15 de outubro, 2026
A escala de folga semanal define quando cada colaborador descansa, e em operações que funcionam todos os dias é ela que garante que nenhum turno fique descoberto. Com a aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1, a regra muda: em vez de um dia de descanso por semana, passam a ser dois.
Isso significa refazer o rodízio de folgas de supermercados, farmácias, restaurantes, hospitais e fábricas. Um aplicativo de escala de trabalho com inteligência artificial distribui as folgas automaticamente, respeitando a cobertura de cada turno e as regras de descanso.
Neste artigo, você encontra as regras da folga semanal, o que muda com a PEC, como cada modelo de escala fica e um exemplo prático de rodízio com duas folgas.
A escala de folga semanal é a distribuição dos dias de descanso de cada colaborador ao longo da semana. Ela garante o descanso semanal remunerado (DSR), direito previsto no artigo 67 da CLT e na Lei 605/1949, que hoje assegura 24 horas consecutivas de repouso dentro de cada período de sete dias.
O descanso deve cair preferencialmente no domingo. Em atividades autorizadas a funcionar aos domingos, a folga pode ser em outro dia, desde que o colaborador também descanse no domingo periodicamente. No comércio, a Lei 10.101/2000 exige que a folga coincida com o domingo pelo menos uma vez a cada três semanas.
Em 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou a PEC 221/2019, que altera o artigo 7º da Constituição. O texto garante dois dias de descanso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário. A emenda segue para promulgação pelo Congresso Nacional, sem sanção presidencial.
Para a escala de folga semanal, as mudanças práticas são estas:
A mudança atinge uma parcela grande do mercado. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados em 2026, quase 15 milhões de trabalhadores com carteira assinada estão na escala 6×1, com uma única folga semanal. Levantamento do Dieese com base na PNAD 2025, do IBGE, mostra ainda que 16% dos empregados trabalham acima de 44 horas por semana.
Os detalhes da PEC estão no guia sobre a escala 6×1.
Cada modelo de escala distribui as folgas de um jeito, e nem todos atendem à nova regra. A tabela compara os formatos mais usados:
| Escala | Como funciona | Folgas por semana | Com a PEC |
|---|---|---|---|
| 6×1 | 6 dias de trabalho e 1 de folga | 1 | deixa de atender à regra de dois dias de descanso |
| 5×2 | 5 dias de trabalho e 2 de folga, fixos ou em rodízio | 2 | atende e vira o modelo padrão |
| 4×2 | 4 dias de trabalho e 2 de folga, em ciclos de 6 dias | 2 ou mais, conforme a semana | atende, desde que respeitado o limite semanal |
| 12×36 | 12 horas de trabalho e 36 de descanso | 3 a 4 dias sem trabalho | continua autorizada |
| 24×48 | 24 horas de plantão e 48 de descanso | 4 a 5 dias sem trabalho | depende de previsão em convenção coletiva da categoria |
A 12×36 está prevista no artigo 59-A da CLT e pode ser adotada por acordo individual escrito ou por acordo e convenção coletiva. Já a 24×48 não tem previsão geral na CLT e só é válida em categorias que a negociaram coletivamente, como vigilância e alguns serviços de saúde.
Independentemente do modelo, o RH precisa controlar horas trabalhadas, folgas concedidas e períodos de descanso. Tiago Santos, vice-presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR, acompanha de perto empresas que operam com escalas variadas. Para ele, a tecnologia é o que permite testar modelos sem risco:
“Com o uso de inteligência artificial e de ferramentas digitais, é possível testar configurações, ajustar jornadas em tempo real e garantir que o planejamento respeite tanto o colaborador quanto as exigências legais.”
Montar uma escala com duas folgas em uma operação de sete dias exige começar pela demanda, e não pelo quadro de pessoal. O primeiro passo é saber quantas pessoas cada dia e cada turno precisam. Só depois a empresa distribui as folgas.
Imagine uma loja que precisa de 5 pessoas por dia, nos sete dias da semana. São 35 turnos por semana, e como cada colaborador trabalha 5 dias, a loja precisa de 7 pessoas. Uma forma de distribuir as folgas, com dois dias seguidos para cada um, é esta:
| Colaborador | Seg | Ter | Qua | Qui | Sex | Sáb | Dom |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| A | folga | folga | trab. | trab. | trab. | trab. | trab. |
| B | trab. | folga | folga | trab. | trab. | trab. | trab. |
| C | trab. | trab. | folga | folga | trab. | trab. | trab. |
| D | trab. | trab. | trab. | folga | folga | trab. | trab. |
| E | trab. | trab. | trab. | trab. | folga | folga | trab. |
| F | trab. | trab. | trab. | trab. | trab. | folga | folga |
| G | folga | trab. | trab. | trab. | trab. | trab. | folga |
Em todos os dias, 5 pessoas trabalham e 2 folgam. Para cumprir a regra do domingo, os pares de folga precisam girar entre os colaboradores nas semanas seguintes, de forma que cada um folgue no domingo com a frequência exigida para a categoria.
O exemplo funciona porque a demanda é igual todos os dias. Na prática, sábados, domingos e datas comerciais costumam exigir mais gente, e a escala precisa refletir isso. Siga estas etapas:
Tiago Santos destaca que a previsibilidade é o que transforma a escala em ferramenta de gestão:
“A previsibilidade é o que torna o RH mais estratégico. Ao programar as folgas com base em dados, a empresa evita conflitos, reduz o absenteísmo e fortalece o engajamento das equipes.”
A pergunta deixou de ser hipotética: a PEC foi aprovada e a escala 6×1 deixa de ser o padrão. Para as empresas, a mudança traz custo e ganhos, e o resultado depende de como a transição é planejada.
Do lado dos custos, cobrir sete dias com duas folgas por colaborador exige cerca de 20% mais pessoas do que na 6×1, e o valor da hora sobe com a redução do divisor da folha. Do lado dos ganhos, mais descanso tende a reduzir absenteísmo, afastamentos e rotatividade, problemas que pesam justamente nos setores que mais usam a 6×1, como varejo e alimentação.
Na prática, as empresas que saem na frente são as que usam dados para decidir onde contratar, onde redistribuir turnos e onde usar banco de horas. Para entender o impacto no cálculo da folha, veja o guia de carga horária mensal.
A transparência na gestão de folgas cria confiança entre empresa e equipe e reduz o risco de passivo. Durante a transição para as duas folgas, alguns cuidados ficam ainda mais importantes:
As perguntas abaixo reúnem as dúvidas mais comuns sobre folga semanal e o impacto da PEC.
Pela regra atual da CLT, uma folga de 24 horas consecutivas a cada sete dias. Com a PEC aprovada pelo Congresso, passam a ser dois dias de descanso semanal remunerado.
Preferencialmente, sim. Em atividades autorizadas a funcionar aos domingos, a folga pode cair em outro dia, mas o colaborador precisa folgar no domingo periodicamente. No comércio, pelo menos uma vez a cada três semanas.
Não. O texto aprovado garante dois dias de descanso, mas eles não precisam ser consecutivos. A empresa pode distribuí-los conforme a demanda da operação.
A empresa deve conceder outra folga para compensar. Sem compensação, o dia trabalhado deve ser pago em dobro.
Sim. A PEC mantém os regimes diferenciados, e a 12×36 continua prevista no artigo 59-A da CLT, por acordo individual escrito ou negociação coletiva.
Com duas folgas por semana, a escala de folga semanal deixa de ser um rodízio simples e passa a exigir cálculo de cobertura dia a dia. Ter demanda, escalas e ponto conectados em um software de RH é o que permite montar esse rodízio sem deixar turnos descobertos.
O Gestor de Turnos da Sesame HR usa inteligência artificial para distribuir folgas e turnos a partir da cobertura que cada dia precisa. Na transição para as duas folgas, ele permite testar diferentes rodízios, ver o custo de cada um e publicar a escala final para a equipe pelo app.
Integrado aos demais módulos da plataforma de gestão de pessoas, o gestor de turnos conecta a escala planejada ao que acontece no dia a dia:
A boa notícia é que é possível testar a plataforma completa da Sesame HR gratuitamente. Com acesso ao gestor de turnos com IA e aos módulos integrados de controle de ponto, ausências, folha e documentos, a equipe de RH consegue montar o novo rodízio de folgas antes do prazo e ver, na prática, o que muda quando escalas, folgas e custos estão centralizados num único lugar.
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