Recrutamento e seleção
Como o candidato deve se comportar em dinâmica de grupo
Saiba como o candidato deve se comportar em dinâmica de grupo: o que o recrutador avalia, as atitudes certas e como se destacar na seleção.
Recrutamento e seleção
Saiba como o candidato deve se comportar em dinâmica de grupo: o que o recrutador avalia, as atitudes certas e como se destacar na seleção.
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Lukas Letieres
HR Consultant
10 de junho, 2026
A dinâmica de grupo é uma das etapas mais reveladoras de um processo seletivo. Diferente da entrevista individual, ela coloca o candidato em interação direta com outros profissionais, expondo comportamentos que dificilmente aparecem em um currículo: a forma como a pessoa ouve, lidera, cede ou resolve conflitos sob pressão. Para as empresas, esse momento concentra informações valiosas sobre fit cultural e habilidades comportamentais.
O software de recrutamento inteligente da Sesame HR é utilizado por equipes de RH que estruturam processos seletivos completos, incluindo etapas de dinâmica de grupo com critérios de avaliação padronizados e registro de feedback por candidato. O resultado é uma visão integrada do desempenho de cada participante ao longo de todo o funil seletivo.
Neste guia, o candidato encontra o que os recrutadores realmente observam em uma dinâmica de grupo, os comportamentos que aumentam ou reduzem as chances de aprovação, as habilidades mais valorizadas pelo mercado e as faixas salariais das vagas que mais utilizam essa etapa.
A dinâmica de grupo é uma atividade coletiva realizada durante processos seletivos com o objetivo de observar o comportamento dos candidatos em situações que simulam o ambiente de trabalho real. Os formatos variam: discussão de cases, resolução de problemas em equipe, simulação de reuniões, jogos colaborativos ou apresentações coletivas.
Empresas de médio e grande porte, especialmente nas áreas comercial, financeira e de atendimento, adotam essa etapa por uma razão prática: ela permite avaliar múltiplos candidatos ao mesmo tempo e gera evidências comportamentais que uma entrevista individual raramente consegue capturar. Segundo a consultoria Talenses, mais de 60% das empresas com mais de 200 colaboradores no Brasil incluem a dinâmica de grupo como etapa obrigatória em processos de trainee e analista júnior.
Saber como o candidato deve se comportar em dinâmica de grupo começa por entender o que está sendo observado. Os recrutadores não avaliam apenas quem fala mais ou quem apresenta as melhores ideias isoladamente. O olhar é mais amplo e considera o conjunto de comportamentos ao longo de toda a atividade.
Cristina Martín, Diretora de Recursos Humanos da Sesame HR, destaca que essa etapa revela o que nenhuma outra fase do processo consegue capturar com a mesma clareza. Para ela, o valor da dinâmica está justamente na naturalidade das situações:
“A dinâmica de grupo revela aspectos do candidato que nenhum currículo consegue registrar. É ali que se vê como a pessoa lida com discordância, como reage quando sua ideia não é aceita e se ela consegue contribuir para um resultado coletivo sem precisar ser o centro da atenção.”
A capacidade de colaborar é o critério mais observado em qualquer dinâmica. O recrutador verifica se o candidato escuta ativamente, se responde ao que foi dito pelos outros ou apenas aguarda sua vez de falar, e se constrói sobre as ideias do grupo. A comunicação assertiva, que transmite ideias com clareza sem atropelar o espaço dos outros, é um diferencial consistente.
Em dinâmicas com desafios ou cases a resolver, os recrutadores identificam quem organiza o grupo naturalmente, sem precisar ser solicitado. O perfil mais valorizado é o da liderança situacional: quem percebe o que o grupo precisa em determinado momento e age para atender essa necessidade, seja sintetizando ideias, mantendo o foco no tempo ou propondo uma estrutura de trabalho.
Dinâmicas bem estruturadas incluem algum grau de imprevisibilidade: mudanças de instrução, tempo reduzido ou papéis atribuídos aleatoriamente. A forma como o candidato responde a essas situações indica diretamente como vai se comportar diante de mudanças no ambiente de trabalho. Quem mantém a calma e contribui mesmo quando o contexto muda demonstra maturidade profissional.
A preparação começa antes da atividade em si. Pesquisar sobre a empresa, seus valores e o perfil da vaga permite calibrar o tipo de contribuição mais relevante para aquele contexto específico. Durante a atividade, as atitudes abaixo têm impacto direto na avaliação:
Alguns comportamentos comprometem a avaliação independentemente de como o candidato tenha se saído nos outros momentos da atividade. Interromper outros participantes de forma recorrente sinaliza falta de controle emocional e desrespeito ao processo. Silenciar completamente também é lido negativamente: indica passividade ou falta de preparo, mesmo que o candidato se saia bem em outras etapas.
Disputar reconhecimento, tentar “ganhar” a dinâmica em detrimento do grupo ou fazer alinhamentos políticos visíveis com os participantes mais destacados são comportamentos que recrutadores experientes identificam com facilidade. O mesmo vale para questionar constantemente as regras da atividade ou sair do escopo proposto: a capacidade de operar dentro de restrições é parte do que está sendo avaliado.
De acordo com o relatório LinkedIn Global Talent Trends 2024, as habilidades comportamentais mais demandadas pelos recrutadores nas etapas presenciais de seleção são comunicação, pensamento crítico, adaptabilidade e inteligência emocional. Em dinâmicas de grupo, essas competências são observadas em tempo real, o que torna essa etapa um dos filtros mais eficientes do funil seletivo.
Do lado das ferramentas, empresas que realizam dinâmicas em formato híbrido ou remoto utilizam plataformas como Microsoft Teams e Google Meet com funcionalidades de salas simultâneas. Em processos mais estruturados, as avaliações comportamentais realizadas durante a dinâmica são registradas em plataformas de recrutamento e seleção, o que elimina registros manuais e garante consistência entre os avaliadores.
Cristina lembra que o uso de critérios padronizados transforma a qualidade das decisões de contratação:
“Quando a dinâmica de grupo é avaliada com critérios padronizados e os dados ficam centralizados no sistema, o RH consegue comparar candidatos com base em evidências concretas, não apenas em percepções. Isso reduz o viés inconsciente e torna o processo mais justo para todos os participantes.”
A dinâmica de grupo é uma etapa comum em processos para vagas de trainee, analista júnior, cargos comerciais e posições de atendimento ao cliente em empresas de médio e grande porte. Segundo o Guia Salarial Robert Half 2025, as faixas salariais para os cargos que mais utilizam essa modalidade de seleção no Brasil são:
A trajetória de quem ingressa por esses programas tende a ser acelerada quando a empresa tem uma estrutura de avaliação de desempenho consistente. Candidatos que demonstram na dinâmica as competências mais valorizadas, como liderança situacional, comunicação assertiva e adaptabilidade, costumam ser os primeiros a receber promoções nas revisões semestrais ou anuais de carreira. Para cargos de analista, o salto para a faixa plena ocorre em média entre 18 e 36 meses de empresa, de acordo com pesquisa da Catho de 2024.
Saber como o candidato deve se comportar em dinâmica de grupo é, antes de tudo, uma questão de autoconhecimento: entender os próprios pontos fortes, os padrões de comportamento sob pressão e como a própria presença impacta o coletivo. Quem se prepara com antecedência, pesquisando a empresa e praticando situações de grupo, chega à seleção com uma vantagem concreta sobre candidatos tecnicamente equivalentes.
O próximo passo é treinar. Simular uma dinâmica com colegas de confiança, gravar a participação e rever os padrões de fala e escuta são formas práticas de desenvolver as competências que os recrutadores mais valorizam. O software de RH da Sesame HR apoia as equipes de recrutamento que estruturam e avaliam essas etapas com critérios consistentes e dados centralizados.
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