Recrutamento e seleção
Entrevista por competências: 35 perguntas por área e o que avaliar
Guia com 35 perguntas para entrevista por competências organizadas por área, com exemplos do que avaliar em cada resposta do candidato
Recrutamento e seleção
Guia com 35 perguntas para entrevista por competências organizadas por área, com exemplos do que avaliar em cada resposta do candidato
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Lukas Letieres
HR Consultant
5 de junho, 2026
A entrevista por competências é a técnica de seleção com maior poder preditivo sobre o desempenho futuro do candidato. Em vez de perguntas genéricas sobre pontos fortes e fracos, ela exige que o candidato relate situações reais, descrevendo o contexto, as ações que tomou e os resultados que obteve. O problema é que muitos recrutadores dominam a lógica do método, mas chegam à entrevista sem um banco de perguntas estruturado por competência.
Com o apoio de um software de recrutamento e seleção, é possível padronizar as perguntas por cargo e nível hierárquico, registrar as respostas dos candidatos e comparar avaliações com critérios objetivos em todos os processos seletivos da empresa.
Neste artigo, você encontrará 35 perguntas organizadas por área de competência, com indicação do que avaliar em cada resposta e os sinais de alerta que o recrutador deve identificar durante a entrevista.
A entrevista por competências, também chamada de entrevista comportamental, parte de um princípio simples: o comportamento passado é o melhor preditor do comportamento futuro. Em vez de perguntar o que o candidato faria em uma situação hipotética, o recrutador pede que relate o que de fato fez em situações reais ao longo da carreira.
Esse método é mais eficaz que a entrevista tradicional porque elimina respostas ensaiadas e genéricas. Quando o candidato precisa citar um exemplo concreto, dois caminhos são possíveis: ou descreve uma situação real com detalhes verificáveis, ou não consegue citar um exemplo, e essa ausência já é uma informação relevante para o recrutador.
O método mais utilizado para estruturar tanto as perguntas quanto a avaliação das respostas é o STAR, sigla para Situação, Tarefa, Ação e Resultado. A pergunta convida o candidato a apresentar esses quatro elementos, e o recrutador avalia a qualidade de cada um deles.
O banco de perguntas deste guia cobre seis áreas de competência. Antes de selecionar as perguntas para uma vaga específica, o RH deve mapear quais competências são de fato determinantes para o cargo em ordem de prioridade. Uma entrevista de 60 minutos comporta entre quatro e seis competências avaliadas em profundidade.
Cristina Martín, Diretora de Recursos Humanos da Sesame HR, reforça que a escolha das competências certas antecede qualquer pergunta:
“O erro mais comum na entrevista por competências é fazer as perguntas certas para as competências erradas. Antes de abrir o banco de perguntas, o recrutador precisa responder: quais comportamentos distinguem um profissional mediano de um excelente nessa posição? Só depois as perguntas fazem sentido.”
A tabela abaixo resume as seis competências cobertas neste guia e o perfil de vaga em que cada uma costuma ser prioritária:
| Competência | Prioritária em | Perguntas neste guia |
|---|---|---|
| Liderança | Gestão, coordenação, posições sênior com equipe | 7 |
| Comunicação | Atendimento, vendas, RH, marketing, gestão | 6 |
| Resolução de problemas | Tecnologia, operações, engenharia, consultoria | 6 |
| Trabalho em equipe | Posições colaborativas, projetos interfuncionais | 5 |
| Adaptabilidade e resiliência | Startups, ambientes em transformação, posições de alta pressão | 5 |
| Orientação a resultados | Comercial, operações, gestão de projetos | 6 |
Para cada pergunta, o guia indica o que uma boa resposta deve conter e os sinais de alerta que revelam fragilidade na competência avaliada. O recrutador deve anotar as respostas durante a entrevista para comparar candidatos com os mesmos critérios. Para aprofundar a coleta de informações, é recomendado usar uma ficha de entrevista estruturada por competência.
As perguntas de liderança avaliam como o candidato influencia, desenvolve e decide em relação a outras pessoas. São indispensáveis para cargos de coordenação, gestão e posições sênior com responsabilidade sobre equipe.
As perguntas de comunicação avaliam como o candidato transmite informações, adapta linguagem e lida com situações de tensão interpessoal. São prioritárias em posições de atendimento, vendas, RH e qualquer cargo com interface intensa com outras áreas.
Essas perguntas revelam como o candidato analisa situações complexas, identifica causas e define caminhos de ação. São competência-chave em tecnologia, operações e qualquer posição que demande pensamento analítico autônomo.
As perguntas de trabalho em equipe avaliam como o candidato colabora, lida com conflitos interpessoais e contribui para um resultado coletivo. São essenciais em posições com projetos interfuncionais ou que dependem de coesão de grupo.
Essas perguntas avaliam como o candidato responde a mudanças, incertezas e fracassos. São competências críticas em empresas em transformação, startups e posições de alta pressão, mas relevantes em qualquer nível hierárquico.
Para Cristina Martín, as perguntas de resiliência são as que mais revelam a maturidade real do candidato:
“Qualquer candidato bem preparado fala bem sobre liderança e comunicação. Mas quando o recrutador pede para descrever um fracasso relevante ou uma crítica que o candidato considerou injusta, a resposta muda de patamar. É nesse ponto que a entrevista por competências separa quem tem autoconsciência de quem tem apenas um bom roteiro.”
As perguntas desta competência avaliam como o candidato define, persegue e mensura objetivos. São centrais em posições comerciais, de operações e gestão de projetos, mas revelam muito sobre o nível de responsabilidade com o próprio desempenho em qualquer área.
O método STAR estrutura a avaliação das respostas em quatro elementos. O recrutador deve verificar se o candidato contemplou cada um deles, porque respostas incompletas revelam onde a competência tem lacunas:
A técnica de entrevista baseada no STAR melhora significativamente quando o recrutador faz perguntas de aprofundamento: “pode detalhar o que você fez especificamente?” ou “qual foi o resultado mensurável?” são perguntas que transformam respostas superficiais em evidências avaliáveis.
Para Cristina Martín, o maior erro na aplicação do STAR é aceitar a primeira resposta como suficiente:
“O STAR só funciona quando o recrutador usa o aprofundamento. Candidatos bem preparados sabem que devem cobrir os quatro elementos, mas a qualidade real da evidência aparece quando o recrutador insiste: ‘e o que você especificamente fez?’, ‘quanto tempo levou?’, ‘qual foi o impacto mensurável?’. Sem essas perguntas de acompanhamento, a entrevista avalia a capacidade de contar histórias, não a competência em si.”
A técnica é eficaz quando bem aplicada. Os erros abaixo são os mais frequentes em processos seletivos que adotam a entrevista por competências sem treinamento adequado do recrutador:
O software de RH da Sesame HR permite ao RH padronizar as perguntas por competência em todos os processos seletivos, registrar as avaliações dos candidatos e comparar perfis com critérios objetivos, eliminando a variação entre entrevistadores. Entre os recursos disponíveis:
A boa notícia é que é possível testar a plataforma completa da Sesame HR gratuitamente. Com acesso a todos os módulos integrados: recrutamento, triagem automatizada, banco de talentos e avaliação de desempenho, a equipe de RH consegue ver de perto o sistema em ação e entender, na prática, o que muda quando todos os processos seletivos estão centralizados num único lugar.
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